Terça-feira, 30 de Junho de 2009

O meu agora.


In Bed Kiss, Toulouse.
Como fosse um par que
Nessa valsa triste
Se desenvolvesse
Ao som dos Bandolins...

E como não?
E por que não dizer
Que o mundo respirava mais
Se ela apertava assim...

Seu colo como
Se não fosse um tempo
Em que já fosse impróprio
Se dançar assim
Ela teimou e enfrentou
O mundo
Se rodopiando ao som
Dos bandolins...

Como fosse um lar
Seu corpo a valsa triste
Iluminava e a noite
Caminhava assim
E como um par
O vento e a madrugada
Iluminavam a fada
Do meu botequim...

Valsando como valsa
Uma criança
Que entra na roda
A noite tá no fim
Ela valsando
Só na madrugada
Se julgando amada
Ao som dos Bandolins...

Bandolins, de Oswaldo Montenegro.

Um dia um tanto quanto bom.

Quando não há chão, mas mesmo assim há vista para os seus sorrisos (e os dele). A manhã em que se acorda cedo com o barulho irritante e infinito do despertador com um bom-humor dos diabos, pois a manhã não é tempo de mau-humor, e sim de amoramoramoramor. E então, mais tarde, você mata as saudades e percebe muito de repente que você cresceu e já não cabe em situações como aquelas. Quando a vida não é um poema de métrica perfeita, e sim como alguma poesia pós-moderna simples, impactante, e emocionante. Não se precisa viver todo esse tempo em que todos querem viver, querem viver todo esse tempo como forma de conformismo por não terem vivido o que você viveu em um dia. A comida tem outra forma, outro gosto, outra cor, outro tempero. Ou é só a fome, talvez.
Você está toda despenteada por baixo de um edredom fino e ainda assim dizem que você fica linda assim, e você sorri, como forma de agradecer. Uma pessoa, um amontoado de células, é muito mais complexo do que isso. É um amor. Você quer engolir o mundo em um só minuto, quer ficar nos braços dele o tempo todo. O tempo não pode passar, o dia não pode acabar-você tem que sonhar com esse dia essa noite.
Isso é, relativamente, um dia um tanto quanto... digamos, bom.

Sábado, 20 de Junho de 2009

Espinho de rosa não dói

Chopin no som, é noite e sinto cheiro de xarope pra tosse, cheiro de doença no ar. Cor de doente, eu tenho cara de doente. Movo minha cabeça como se fosse um relógio com um pêndulo, perdida, eu estou perdida dentro de mim e não sei como me encontro. Estou agindo como nunca tinha agido antes, vivido as coisas de uma forma que nunca tinha vivido antes. Cresci, talvez. Por dentro, por fora, de todas as formas possíveis, cresci crescendo, como as flores crescem, de surpresa. Aprendi a sorrir e também a chorar. No fundo. Tirando aquele espeto de sentimentos do fundo da espinha. Foda-se quem acha que tudo é passageiro, eu sou de raiz. Meus problemas e minhas virtudes estão nessa raiz. Tiro os galhos sempre, mas a raiz está lá, avançando sempre para as dimensões mais profundas do ser. As flores vem, as folhas caem. Meus sonhos mudam, hoje sinto vontade de morar de albergue em albergue em algum lugar inusitado desse mundo. Hoje, Sumatra. Amanhã, provavelmente Paris. Meus amores... alguns são transitórios, mas o tipo deles é sempre o mesmo. Amo quietinho. Não por medo de amar, mas por eu achar que o amor é silêncio, e não grito. Esperar em baixo de um relógio olhando para as horas incansavelmente esperando ele vir e acompanhar aquelas multidões se acumulando, de todas as cores, esperando pra ver um ponto vermelho (a cor que ele tem, e a minha cor favorita). Amor é quando se olha pra mim, olho pra ti, desvio o olhar e começo a rir. Isso é amor. Eu transbordo sempre nesse momento. Sempre estou rindo. Não que eu sempre esteja de bem com a vida, mas esse sorriso do rosto ninguém me tira. Não tenho mais aquela melancolia, não tristeza, melancolia, que trava no corpo e que te obriga a ver as gotinhas de chuva na janela, se olhar no espelho e se achar feio e tudo. Eu, finalmente e definitivamente, estou feliz. E, ao contrário de amor, felicidade é um grito ensurcedor.

Sábado, 13 de Junho de 2009

Clarice Lispector

Estou por assim dizer
vendo claramente o vazio.
E nem entendo aquilo que entendo:
pois estou infinitamente maior que eu mesma,
e não me alcanço.
Além do que:
que faço dessa lucidez?
Sei também que esta minha lucidez
pode-se tornar o inferno humano
- já me aconteceu antes.

Sexta-feira, 5 de Junho de 2009

Post Fútil

Uma coisa que eu sempre gostei de reparar são as pessoas. Não que seja coisa de quem não tem nada pra fazer, quer dizer, também é, mas eu gosto de descobrir uma pessoa só de olhar. Há dois anos atrás mandei uma carta pra um cara por isso (e parti muito meu coração, é verdade), e minha audição fraca se prepara para uma super potência para ouvir segredos burburinhos. E por essas e por tantas, acabo me antipatizando com pessoas por causa disso, e em alguns casos, levando quase ao ódio. Mas também, claro, acontece de haver aquela coisa de não ir com a cara e se sentir uma idiota por não ter ganho mais tempo com uma pessoa incrível.
Mas tem uma pessoa, no caso, que eu nunca gostei. Sempre me tratou com uma baita de uma grosseria e mesmo assim se metendo na minha vida e das minhas amigas e tudo mais. E hoje, eu com meu ouvido captor de fofoquinhas e conversas inúteis, ouvi esse organismo falando assim pra uma ámicáá:

- Não, esses dias eu tava no ônibus, só que ele tava cheio, com um só lugar!!!!- falando como se isso fosse um fato tão impressionante quanto encontrarem os pedaços do avião que caiu- E daí só sobrou um banco preferencial lá né, daí chegou um velhinho assim: "Moça, você pode me dar licença, que eu estou com dor na perna?" e daí eu respondi: "Eu não vou dar o meu lugar, eu paguei pra entrar aqui, você entrou de graça!"

Bom... beleza que isso dispensa comentários, mas se eu fosse esse velhinho... AH se eu fosse esse velhinho. Como se não bastasse ser uma luta pra alguém de terceira idade subir aqueles três degraus pra subir num ônibus, tem que olhar pra uma guria feia que o capeta do avesso, e ainda aguentar falta de respeito.
Você pode ser arrogante e grosso, mas acho que respeito é fundamental. Se alguém fala bom dia, você responde um bom dia, mesmo que sem um sorriso no rosto... Sabe, é o básico.

Bom, só pra deixar registrado meio que um ataquezinho de fúria. Meio fofoqueira e intrigueira demais, mas... ai que ódio!!!!

Segunda-feira, 1 de Junho de 2009

foda-se o quê?

fodam-se os que pensam que o nordeste é uma região que só tem chão de barro e seca.
fodam-se histórias de amor perfeitas e gente muito feliz, muito inteligente, muito bonita ou muito simpática.
foda-se o conformismo com as barreiras que a sociedade nos impoe, foda-se a banalidade em geral, fodam-se os antipáticos e os olhares desaprovadores, foda-se a hora, foda-se o 'quase' o 'se' e a conjugação no futuro do pretérito.
fodamo-nos.
foda- se noites de desconforto e mal dormidas.
foda-se a banalização do verbo amar
foda-se a vergonha
foda-se o desabafo.
foda-se a verdade quando ela dói.
foda-se o auto-engano.
foda-se a ilusão.
foda-se as materias na tv sobre como ser mais saudavel e feliz comendo verduras

Sábado, 23 de Maio de 2009

Meu nome é caio fernando abreu VI

Tô morando, trabalhando, estudando e amando. Esses são os quatro foles da minha vida, no momento, e sobre cada um deles eu teria milhares de páginas a preencher. Sei lá, menina, tá tudo tão legal — e um legal tão batalhado, um legal merecido, de costas e pernas doendo, mas coração tranqüilo.

Quinta-feira, 21 de Maio de 2009

O sol estava se pondo em um espectro de cores iguais às balas que carregava em seu bolso. Cinco para as sete- preciso ir embora. Pegou uma bala lilás, a melhor de todas, e uma rosa. Não teve tempo de despedir, só deu um beijo no namorado e disse "estou atrasada". Pegou a bolsa pendurada na porta do portão, abriu a porta e um dos seus poucos pensamentos nessa hora de correria era o de que nunca tinha corrido tanto. Por sorte, o ônibus estava parado no ponto, como se o motorista soubesse realmente que alguém estava a sua espera, e ela disse: muito, nossa, muito obrigada mesmo. Pegou mais duas balas, também rosa e lilás, e pegou primeiro a rosa, de acerola, a pior de todas. Apoiou a cabeça no ônibus e se lembrou de quem ela ia ver. Era errado fazer o que estava fazendo, imagine. Está com um cara há doze anos, ou seja, desde os catorze, e daí um dia conhece um cara simplesmente maravilhoso e incrível, diferente. Não era melhor do que o outro, mas era diferente. Tinha vida, eletrecidade. Começando a ficar arrependida, pegou mais uma bala. Cairam duas vermelhas na sua mão, da cor do amor. Se olhou no espelhinho e pensou: "é isso aí, você está muito gata", fazendo pose de gostosa. O cobrador viu e mandou um beijinho, e ela só rindo, achando aquilo a coisa mais patética do mundo, um banguela mandando beijo. Saiu do ônibus e sentiu toda aquela vibração de estar fazendo o errado, mas o que há de errado em viver e ser feliz? Tudo bem, é errado... Mas é se aventurar, não é? Um está a espera, o outro deve estar, sei lá, vendo jornal. É essa a diferença, se sentir amada.
Apertou o botão para o terceiro andar, o seu Valdir abriu a porta e disse: "Está muito bonita hoje, está muito bonita hoje, muito muito bonita mesmo!", subiu o elevador, olhou envergonhada para a câmera, saiu do elevador, bateu à porta, abriram à porta, se cumprimentaram, fecharam a porta, e então as cortinas, já era noite, faz tão frio lá fora, não tão frio assim não é mesmo, ligaram incenso de jasmim e ele disse: "Você está muito bonita hoje. Gosto de você descabelada, como se viesse aqui correndo", "pare de mentir, seu estúpido".
Só voltou pra casa às oito da manhã. O namorado não tinha ligado- e nem se quer sentido sua falta.

Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

Fragmento de uma carta ainda não enviada

"Mas eu sempre senti sua falta mais no silêncio. Daquele silêncio ora manso, ora agressivo, quando eu pensava nas coisas ditas ou nas coisas pensadas, nem que tivessem sido por um segundo. Porque eu me lembrava, e gostava de lembrar, porque eu não podia te esquecer- não pude, não o fiz. Mas até hoje sinto sua falta nas coisas pequenas."

Explosão na Aula de Física

O sol vem e bate na janela. Reflexos são vistos na parede branca e suja de mãos porcas - a minha está suja de tinta e não consigo respirar porque o tempo não passa e não pára.
Estou estacionada na claustrofobia do alter-ego medíocre e irritado, nostálgico quando se escreve porque se lembra dos poemas que vinham naturalmente quanto um pensamento banal, e nervoso como uma chaleira fervente quando lembra que esses poemas eram ruins.

Eu quero fugir. Eu não estou aqui. Ponto.

Superfícies

Superfície íngreme dos sonhos que você diz não ter, mas sei que teve, somente por intuição.
Superfícies somente superfícies, superfícies tão profundas de uma vibração muscular tola na face formando-se um sorriso tolo.
Simplesmente somente isso não é e não basta na superfície da alma quando se carrega de sonhossorrisos.

Terça-feira, 28 de Abril de 2009

O som das coisas

Engraçado quando você não se sente sozinha, com vontade de chorar, de jogar tudo para o alto, de se isolar em uma caverna ou em um apartamento no centro em que você não consegue dormir por causa da buzina dos carros e deixa a televisão ligada para substituir a voz rouca grossa linda de outra pessoa, quando não sente vontade de se debulhar de lástimas para os seus melhores amigos, ou de chegar para eles com alegrias disfarçadas, ou até mesmo de assistir a um filme ruim que te remete à coisa boa- e você sentindo falta dessa coisa boa, quando você não sente vontade de jogar toda a sua tristeza em uma coisa maravilhosa que você descobriu no começo dos prantos, e rir de coisas imbecis em potencial, ou quando você vira fútil da noite pro dia, porque é só assim que se cobre as coisas do coração.
E as coisas do coração, às vezes ouço seu barulho, nas coisas mais simples. E o barulho é de ruflar de borboletas.

Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

Sobre todas as coisas.

Pra eu passar todo esse tempo todos esses anos todo esse tempo que o mundo nos dá, não preciso de droga nenhuma, não preciso entender as coisas, não preciso de toda essa sensibilidade lírica, não preciso de absolutamente nada desde que chegue uma hora no dia em que eu consiga perceber toda essa complexidade em uma fração de segundo em que vejo uma borboleta brincando com a outra ou o vento nos galhos, ou você descendo as escadas no ônibus com um sorriso lindo no rosto, como eu gosto de ver você chegando, e como gosto de te ver sorrindo.
Não vejo outra incógnita na vida que não seja penetrar as coisas grandes nas coisas pequenas. Não que não consiga ver; não há. O resto está todo compreendido e fragmentado, só precisa dar uma boa olhada com toda aquela sensibilidade lírica que já foi dita.
E eu estou tão feliz.

Quarta-feira, 22 de Abril de 2009



-Ui, recebi uma pancada na cabeça.


Sexta-feira, 3 de Abril de 2009

Para melhorar meu humor.

Mesmo que as manhãs nubladas tendem ao suicídio
Que o ócio caótico bote uma britadeira no seu cérebro
Bote estrelas nos olhos
E fogos de artifício no coração

Quarta-feira, 1 de Abril de 2009

Joaquim

-Oi, moça, tem flor prá entregar. É do Joaquim.

Joaquim. Suas rimas; ele. São tantas as palavras que rimam com o seu nome, e todas elas são ele.
Do alecrim que deixava em baixo do travesseiro para não ter pesadelos, e acabava ficando com o cheiro. O bandolim do avô que estava guardado no guarda-roupa. Berlim, daonde veio. Sempre mais uma história sobre lá, parecia que até inventava. Uma história em cada esquina. O jasmim, do chá. O pinguim em cima da geladeira, de gorro e cachecol. Eu o quebrei. O tuim que tinha, tão engraçado. Amava dançar na chuva.

E tudo resultou em um mísero ínterim.

- Obrigada.

Quarta-feira, 25 de Março de 2009

CartasCartasCartas... (II)

Eu cheguei a um ponto de pensar que todos os bons morrem loucos.
Mas fico indecisa, pensando se não são os loucos que morrem bons.
Todos meus pintores, artistas, músicos. Todos eles, tiro, depressão, bebedeira, cortar a orelha, seja lá o que isso significar, mas todos eles tinham essa loucura, e aquela coisa maravilhosa. Você é bom. Você é louco.
Ás vezes a gente sente uma coisa boa. Talvez não se fale o que é, mas em todas as camadas a gente sabe que é amor. A gente sempre sabe quando é amor, a gente sabe. A gente sabe o que a pessoa quer dizer. E eu sei que você é minuciosamente perfeito pra mim.

Sábado, 14 de Março de 2009

Dos passeios de manhã, de atrás da árvore, no alto do Memorial, comendo pastel em Antonina, dos beijos de despedida que não se acabam, porque não existe adeus, de correr quando o sinal está aberto para os carros, das saboneteiras, dos filmes não assistidos, do Album Solo, da geladeira com doce de leite sempre no fim. Da bicicleta mais massa que já vi na minha vida, das palavras novas, dos dias mais lindos da minha vida, da maior felicidade do mundo.

Parabéns pra você. Tudo de bom, mesmo, sempre. Toda felicidade, todo amor, toda vida desse mundo. Amo infinito.

Sexta-feira, 13 de Março de 2009

Cine Explêndido.

Quero ver Rita Hayworth com a mão no queixo e aquelas ondas de bobe. Jean Harlow metade boa metade ruim. A cara de marido-me-bateu da Katharine Hepburn. Quero as sobrancelhas da Greta Garbo, como se ela não desse a mínima pra você. Ou ainda, o cigarrinho da Marlene Dietrich. Quero ser daquelas gordinhas sensuais, tipo a Mae West. As saboneteiras da Elizabeth Taylor! Ah! E quero ainda, Judy Garland como Dorothy aqui na minha casa, pra ter como estimação. O olhar da Grace Kelly, que hipnotiza. As coxonas da Kim Novak sentada no sofá. A cor dos olhos da Gene Tierney. Quero muito assustar a Alla Nazimova e tirar uma foto!

Quero ter um Cine Explêndido pra vê-las todos os dias.

O tempo culpa...

...e persegue. Destrói algumas coisas que construi dentro de mim por muito tempo, alguns sonhos por assim dizer. O tempo é uma bofetada bem ensanguentada no meio da cara. Te desnorteia, e quando você cai na real de um sonho, plim. Já é tarde. Hora de ser respeitável e maduro. Tudo o que resta, é resto e só isso, um troco de bêbado- aquele um real todo rasgado e cheio de durex escrito Jesus te ama, ou "quem pegar aqui vai morrer". Quando a gente pára e realmente percebe que nada é pra sempre, as imagens ficam muito mais limpas, como se você estivesse mergulhando numa daquelas águas cristalinas, no fundo do mar. Como eu queria estar mergulhando agora...

Terça-feira, 10 de Março de 2009

O mundo é um moinho - Diálogo

- Isis?
- Diz.
- O que você pensa sobre o pessoal?
- Você quer dizer, o pessoal? O Pedro e tudo?
- É.
- Eles são demais.
- É o que eu sempre digo- passei o baseado pra ela.
- E você?
- São os melhores amigos que eu já tive.
- Sério?
- Com certeza. Certeza absoluta, minha cara.
- Você é esquisito, sabia disso?
- Você também sempre fala isso, Zi.
- Não. Mas de coração mesmo, você é a pessoa mais fascinantemente estranha que eu já conheci.
- Jure?
- Juro. Tira esses óculos. Te vi umas duas vezes sem eles, quase.
- Quais vezes? Eu nunca tiro meus óculos.-Eram meus óculos escuros. Eles eram muito escuros e redondinhos, iguais aos do John Lennon. Achei no lixo em um dia especial.
- Uma que você chorou. Outra que você chorou, também.
- Nossa, você me viu chorando.
- Tira esses óculos, por favor- E ela já foi metendo a mão dela e tirando meus óculos com cuidado, pra não puxar cabelo. Eles são bem compridos.
- Olá! Eu olhei pra ela e acenei.
- Você é tão lindo.
- Nossa... Você é louca? Nem um pouco- traguei mais um pouco.
- Eu sempre fui apaixonada por você.
Nessa hora não existia mais baseado, não existia mais corpo. Só existia ela e o meu coração um trilhão de vezes por um milésimo de segundo. Eu o sentia explodir.
- Sempre?
- Sempre. Desde a primeira vez que te vi.
- O que você viu em mim?
- Não sei. É um vazio que preenche.

Sábado, 28 de Fevereiro de 2009

Aquarela

Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009

Escuta...

Escuta...
Não, não, não a chuva, a mim, me escuta. Eu sei que a chuva é mais gostosa de se ouvir do que a minha voz ora grossa ora fina, e sei que é mais bonito de olhar o arco-íris que se formou agora do que pra minha pele cheia de buraco. Mas eu tive uma idéia fabulosa. Você é uma pessoa tão incrível de se conversar, sabia? Não, juro por deus, você fica quietinho olhando a gente falar, é gozado. Eu tive a idéia mais fabulosa de todos os tempos. Eu vou pintar você. Vai dizer, não é uma idéia fabulosa? Talvez nem tanto, mas o quadro vai ficar tão lindo! Juro pra você. Assim, esse sol das cinco horas, você deitado no sofá e a televisão ligada. Vai ser um quadro gigante, o maior do mundo. Maior do que aquele lá do cara com nome estranho... É... Paul Philippoteaux, isso, obrigada, é. E pra você ter noção... Aquele quadro tem doze metros de altura e uns... sei lá, uns 125 metros de comprimento, eu acho! Vai dizer, não é loucura? Eu vou pintar você. E de uma forma tão, mas tão, mas tão mais linda que o Beijo do Klimt. Mais sensível, mais lindo. Vai dizer, não é tão lindo? Eu vejo aquele quadro e faço questão de te dar um beijo e ficar agarrada em você, pintando com a minha cabeça como seria a gente desenhado num quadro do Klimt. Vai ser mais puro, mais 'baque' que Van Gogh. Eu vou pintar você, juro. E colocar na parede assim, e eu vou fazer alguma coisa naquela parede pra ficar de bonito só você. Sei lá, colocar uns jornais bem feios.
E eu vou pintar ouvindo a chuva.
Ouvindo o seu silêncio visceral, vendo você.
Você é tão pronto pra ser pintado.

Quinta-feira, 26 de Fevereiro de 2009

Agora tenho um twitter (acho o nome o máximo)